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Expandindo fronteiras: V Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia

Guilherme Sá

26 June, 2015

The Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS) - Porto Alegre (RS) - received from May 20-22 , 2015 the V Anthropology Meeting of Science and Technology, or, simply put, the V ReACT, as already known the main meeting of anthropologists researching and discussing science and technology in Brazil

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Porto Alegre (RS) – recebeu de 20 a 22 de maio deste ano a V Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia, ou, simplificando, a V ReACT, como já ficou conhecido o principal encontro de antropologxs que pesquisam e discutem as ciências e as tecnologias no Brasil.

Em dados estatísticos a última Reunião contou com 184 participantes inscritos, entre apresesentadores de trabalhos, palestrantes, coordenadores, debatedores e ouvintes. O evento mobilizou uma equipe técnica composta por 46 organizadores (pesquisadores e monitores) responsáveis por selecionar os trabalhos e orientar as ações durante a Reunião. Após terem sido recebidos 138 resumos submetidos, a comissão científica se reuniu para selecionar os 75 trabalhos que foram distribuídos nos 9 seminários temáticos que integraram a V ReACT.

Os números da Reunião fazem juz ao sensível crescimento que a antropologia da ciência vem conhecendo no Brasil a partir da primeira década do século XXI. As ReACT despontam como o principal evento temático regular da grande área da antropologia no país e sua concepção não é menos notável. Contando desde o início com uma orientação não hierarquizada que visa promover o convívio entre estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais num mesmo fórum de discussão a ReACT integra a todxs em um diálogo franco e profícuo acerca de pesquisas que se encontram em curso.

Seguindo outra característica das edições que a precederam, a V ReACT privilegiou os encontros transversais entre as ciências e outros temas de pesquisa antropológica como a religião, a arte e o direito. O efeito desses encontros, muitas vezes inusitados, têm fornecido um substantivo diferencial à antropologia da ciência feita no Brasil em relação as outras tradições mundiais consolidadas há mais tempo no cenário dos estudos de C&T. Sem prefigurar “o que a ciência é”, partimos do desafio de tentar entender “o que a ciência pode vir a ser” em ao se relacionar com os fenômenos múltiplos que compõem os coletivos no Brasil. Trata-se não apenas de um objetivo central de todas as Reuniões que realizamos, mas de um princípio que norteia a Rede de Antropologia da Ciência e da Tecnologia (ReACT)  criada no ano de 2013 durante a IV Reunião realizada em Campinas (SP).

O encontro de Porto Alegre deu destaque em sua programação às relações entre as práticas científicas e as relações de gênero. Esta perspectiva é creditada ao grupo de pesquisa “Ciências na Vida” da UFRGS, coordenado por Claudia Fonseca, Fabíola Rohden e Paula Sandrine Machado, que caracteriza-se pela abordagem feminista propícia e necessária ao fazer etnográfico. Dimensão esta que logo pôde ser percebida na mesa de abertura “Antropologia das Ciências: inspirações e deslocamentos” a partir da intervenção de Claudia Fonseca relacionando as abordagens feministas aos novos estudos sobre o parentesco, e de Susana Silva que propôs reflexões metodológicas a respeito de sua experiência de trabalho etnográfico em uma UTI neonatal. A tendência em situar um olhar pautado no gênero distribuiu-se pelos seminários temáticos como “Direitos e Ciências: interfaces entre saberes especializados”, “Corporalidades, Saberes e tecnologias”, coordenados respectivamente por Patrice Schuch, Paula Sandrine Machado e Débora Allebrandt.

Além dos já tradicionais eixos temáticos tratando das relações entre humanos e não-humanos e dos agenciamentos de artefatos técnicos, destaca-se a realização da mesa “Transversalidades entre ciência, religião e arte”, a qual – se é possível dizer - assumiu o caráter de ser a mais experimental de todo o evento. Emerson Giumbelli empreendeu um exercício de aproximação em torno do questionamento “o que é / o que pode um objeto” científico, artístico e religioso? A tarefa de relatá-los coube a Pedro Peixoto Ferreira, Fernanda Arêas Peixoto e Mattijs van de Port, que, se por um lado ponderaram que o objeto último da ciência seria a produção da natureza, por outro, entenderam a própria natureza metamórfica dos objetos artísticos e religiosos.

Após três dias de intensos debates a programação do evento foi finalizada com a realização da mesa redonda “Políticas globais e efeitos locais”, da qual participaram Marta Amoroso, Marko Monteiro, Lorena Fleury e Guilherme Radomsky. O tema da mesa que versou sobre a relação e os (des)compromissos entre a tecnociência e os impactos causados pelos grandes empreendimentos desenvolvimentistas parece antecipar uma tendência que será medida nos próximos anos e que certamente norteará as discussões da próxima ReACT – definida para 2017 em São Paulo -, a saber, as diversas escalas em que agência humana poderá ser sentida no/pelo planeta. Até lá!

* Dr. Guilherme José da Silva e SáCoordenador do Laboratório de Antropologia da Ciência e da Técnica (LACT). Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília

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